Salve as travestis brasileiras!

quinta-feira, fevereiro 26, 2015 Rafael Berredo 8 Comentários

Olá, galera. É um enorme prazer participar do Faroeste e ter a oportunidade de expressar aqui os meus pontos de vista (no plural mesmo) sobre o que diz respeito ao meio LGBT. Mais prazeroso ainda é ser convidado para responder por uma coluna semanal em um site que sempre segui e admirei. Mas por onde começar é a questão. Desta vez começarei pelo começo mesmo. DESTA VEZ. Bem, meu nome é Rafael Berredo e sempre me questionei acerca de várias coisas que eu não via as outras pessoas se questionarem. Como bom aquariano, tenho uma mente bastante inquieta e indagadora e, não dificilmente, me pego em uma explosão de ideias e planos postos num papel na intenção de algum dia concretizá-los. Hoje mesmo me encontrava na iminência de começar a escrever e essa explosão me pegou. Mas sobre o que falar? Por qual assunto iniciar minha postagem? Eis que me deparo com a já famosa no Brasil, Luisa Marilac. Aquela mesma, dos bons drink.
Não é de hoje que me entristece e me estarrece o fato de travestis não ocuparem o mercado de trabalho em funções comuns como quaisquer outros cidadãos ocupam. Mas com ela foi diferente: Colocou a cara no sol e mostrou a força da guerreira que existia ali dentro.



Fonte: iGay

Sofreu. Sofreu muito. Já foi esfaqueada, sofreu a opressão de uma sociedade que imputa às travestis uma realidade desconhecida por boa parte da população. São as putas, vadias, garotas de programa que ganham dinheiro destruindo famílias. Meu cu, né? Essa é a forma encontrada por elas pra não morrerem de fome. Vai muito além da vontade de escambar dinheiro por prazer. Vai além da vida noturna (a elas a noite, aos justos o dia, não é assim?). Vai além de exercer, segundo Oscar Wilde, o prazer que não deve ser nomeado. É, na grande maioria das vezes, a oportunidade de exercer plenamente a sua identidade de gênero. 

A marginalização de travestis não vem de hoje no nosso país. Basta que procuremos a perseguição que travestis sofriam nos meados da ditadura, quando o delegado Richetti "limpava" o Arouche (SP) das piranhas de tromba. Ora morriam, ora eram torturadas. Mas compartilho da ideia de que o pior era feito quando da tentativa por parte dos militares de masculinizá-las. Tal brutalidade psicológica, moral e social ainda permeia nossa cultura quando vemos travestis excluídas de todos os serviços básicos. Não vemos travestis em escolas porque sofrem a alcunha de pertencer a classe dos diferentes e estranhos. Não vemos travestis em hospitais, salvo quando esfaqueadas ou surradas. Não vemos travestis na política porque os próprios partidos as excluem da oportunidade de poderem representarem-se. Eis que chegamos a uma conclusão óbvia: a sociedade as segrega e elas se auto marginalizam - na tentativa de evitar o sofrimento.
Voltando à Luiza, percebo o quanto ela precisou lutar para se livrar do imaginário poluído da sociedade.

Que exemplo de sobriedade. Que exemplo de simplicidade. Que exemplo de ser humano. Já é incutido na cabeça de uma travesti que a maioria dos lugares não é pra elas. Quantas profissionais brilhantes não estamos perdendo (a exemplo dessa). É nítido nas feições dela o quanto se sente feliz apenas por ser RECONHECIDA COMO UMA TRABALHADORA POTENCIAL. O sorriso dessa mulher, nessa entrevista, vai me fazer dormir muito feliz hoje. Insatisfeito com a realidade em que vivem, mas feliz pela Luiza. Está na hora de enxergarmos as pessoas como pessoas, com uma visão humana, holística, amorosa. Como bem disse a Luíza: Não se pode julgar um livro pela capa! E o que mais me enoja é gente preconceituosa. Sofro socialmente a alcunha de ser "diferente". Mas se fazer parte dos iguais é ser como a maioria das pessoas, prefiro a minha diferença mesmo.

Segue o vídeo da entrevista esmiuçando os pormenores que a fizeram achar um emprego e segundo a própria, deitar sua cabeça no travesseiro com a consciência limpa. Salve as travestis brasileiras. Salve Luiza. Salve a liberdade.



Rafael Berredo

AUTOR

Rafael Berredo. Aquariano, impulsivo, umbandista e eternamente inconstante. Atuante em causas sociais, vive em busca de projetos humanitários e da paz interior. Apaixonado por música e adepto da filosofia de mesa de boteco. Ativista da nossa coluna LGBT.

8 comentários:

  1. Eu já era fã dela na época do vídeo, sabendo disso então o orgulho consumiu meu coração ♥

    #orgulhogay

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  2. Muito bom, o que mais gosto neste admirável blog é sua capacidade de agregar gente de todo tipo... Pessoas excluídas da sociedade, roqueiros, pagãos, espíritas, poetas, músicos, gays, tatuados.
    Acompanho por aqui ha alguns meses e mesmo nao sendo muito chegada a rock e esses temas, me apeguei ao ritmo divertido de voces. E fico abismada com a facilidade de voces em tocar nesses assuntos que tantos lidam com deboche, vulgaridade ou até falta de respeito. Vcs aqui fazem diferente.
    Sou fã dos poemas, dos textos autorais e tenho certeza que dessa coluna tambem. Parabens pela escolha do novo integrante, que texto bonito !!!
    Sou lesbica, demorei muito a me assumir, e confesso nao me sentir tao à vontade nas conversas paralelas sobre o tema, pois eu nunca me senti pertencendo a um "movimento", a uma causa, mas em meu coração levo todo o respeito e empatia a quem faz dessa causa um empenho e uma forma de viver, pra defender a quem tanto sofre com preconceito (que nao se enganem as más linguas, o mundo nao mudou tanto assim, AINDA sofrem)...

    Parabens a todos voces por essa bela iniciativa.
    Um abraço carinhoso de uma leitora assidua, Melissa Bordin!

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    1. São pessoas como você que nos fazem continuar escrevendo, Melissa. Fico mega feliz que tenha gostado!

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  3. Aeee caraiii :XXX
    agora o embalo lgbt vai pra frente meu *o*
    Texto mto foda Rafael :)
    Me identifiquei com suas palavras pq tbm sofro ao ver que o mundo anda tao desevoluido e ngm entende mta opiniao a frente hiuhiuh

    E cadê a Hell pra ajudar a movimentar a bagaça gay tbm? ela anda mto quieta heheehehhe

    adorei a coluna

    besos :**

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    1. A gente (eu, vc e todos que compactuam com a causa) vamos mudar esse conceito, Débora. Vamos botar a cara no sol e mostrar que LGBT não é bagunça.

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  4. O que os travestis passam pelas ruas nao é facil
    a atitude da luisa é mais que louvavel :D

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  5. Maravilhoso seu texto, Rafael!
    Que bom que os assuntos tabus estão sendo cada vez mais discutidos, é saudável para a sociedade em geral e para nós, LGBTs.
    A luta está longe de acabar, mas não aceitaremos mais repúdio e ódio como resposta!!

    o/

    http://www.sobremeninasevodcas.blogspot.com.br/

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