A tal bosta da autoajuda (2008) - Editado
Baseado em fatos reais.
- Opa, e aê? Que
cara é essa, meu? De ressaca em plena terça-feira?
- Sei lá mano, eu ando tão esquisita...
- E esse cabelo aê,
todo preto? Revoltou?
- Pois é, cansei de rosa...
- Hum. E aÃ, o que vai fazer mais tarde?
- Augusta. Vamos?
- Inferno?
- Não tá aberto hoje. Mas o Vitrine está. 20h.
- Suave, firmou então.
- Fechou!
E lá está a metade da metade da metade da metade dos meus
amigos, enchendo a cara na calçada. Minha mesa lotada - como sempre. Gente que nunca vi na vida, gente que sempre vejo na vida – como sempre.
Gente que vejo mais do que meus pais. Fato.
- Uma rodada de Jose Cuervo por conta da casa...
Tiro do bolso o rascunho elaborado no tédio do antigo estágio:
“Eu nem quero mais aquele amor que faça as pernas tremerem. Minha lucidez já
treme na ausência da cachaça por si só. Eu quero suor fedendo a álcool sabe,
aquela troca de corpos sem precisar tocar ninguém, trocar ideia com quem
entenda o que ainda não obtive resposta, alguma luz que não seja artificial
como as dessa cidade. Eu quero sair do chão sóbria e consciente, cada passo
lúcido e duro como a realidade“
Um dia olhei pro lado e vi uma briga meio estranha, de gente
disputando espaço no metrô, quase aos tapas por conta de uma cadeira vazia. E
esse meu vazio aqui dentro, será que ninguém se dispõe a disputar? Mas passei a entender que se vazio fosse tão ruim, não seria nobre o suficiente para selecionar companhia e não escolher ninguém.
Vejo tanto caos causado por ações próprias e falta de
cultura causada por puro comodismo, mas ninguém assume a culpa. Se matam só
para encontrar alguém que possam apontar seus dedinhos podres. E eu não, eu me ocupei demais ignorando o que não se pode
ignorar e quando me dei por mim, parecia tarde. Mas é fato que tentei de tudo,
de tudo mesmo, pra sarar a ferida que eu nem sabia que existia, e quando
descobri, já cobria meu corpo inteiro. Eu era uma ferida viva à prova de tudo.
Remédio pra mim virou religião: muita fé e pouca prova.
Meu paraÃso já havia sido visitado e muito
bem vivido, obrigada. Só o que eu queria era paz. Ponto.
A verdade é que esse limbo nem tem nome, e se eu me
despeço do mundo real, é tendo a consciência de que o dia de amanhã poderá ser melhor
se EU quiser. Mas que para preencher aquele espaço vago seria preciso muito
mais do que os shots de tequila e os rolês da rua de trás.
Minha ferida vem da terra. Minha fé nasceu do pó. Eu fui ao
seu inferno mil vezes, e quer saber? Nem achei tão ruim assim.
DifÃcil é acordar de um sonho bom. Dias escrotos servem para nos ensinarem a dar valor à harmonia. O "está tudo bem" sem ter nada bom para contar é bem melhor do que os agitos que namoram tragédias a distância.
E se hoje estou em paz, é porque estou sóbria do ilegal.
Ellen F.
Nota: Dedicado a todos aqueles que já passaram pelo que passei e aos poucos que entenderão, de fato, o que eu quis dizer ;*
Hell
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"Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as porcentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos." O velho e tarado Buk já dizia.
ResponderExcluirNOOOOOOSSSSSSSSA PERFECT :O
ResponderExcluirto arrepiada
ResponderExcluirde todos foi o melhor que jah li
pke eu jah passei por toda essa treta tambem e sinto qnd alguem foi ao fundo do poço como eu msm fui
e sentir e resentir a dor
nossa
posso copiar hell? mas dou os creditos no face claro ^^